Ricardo Guadalupe, CEO da Hublot: “2015 vai ser um ano difícil”

Ricardo Guadalupe, CEO da Hublot

Ricardo Guadalupe, aos 47 anos de idade, foi nomeado CEO da Hublot (2012), nomeação que fez dele o sucessor de Jean-Claude Biver, agora Presidente do Conselho da Hublot. Esta promoção, regista também uma carreira de sucesso na indústria relojoeira suíça e 20 anos de leal colaboração com Biver. Guadalupe é um homem confiante no futuro.

A sua relação profissional com Jean-Claude Biver é longa e com excelentes resultados, tais como o renascimento da Blancpain ou o florescente desenvolvimento da Hublot, duas marcas que hoje estão ao mais alto nível da relojoaria helvética.

De ascendência espanhola, Ricardo Guadalupe nasceu em Neuchâtel, na Suíça, (Março de 1965), onde cresceu e passou toda sua vida escolar nesta região conhecida como o berço da relojoaria de luxo suíça. Depois de se licenciar, matriculou-se na Swiss Business School antes de partir para a Califórnia (Estados Unidos), para fazer um curso na Universidade de Los Angeles (UCLA). Corria o ano de 1988, e tinha então 22 anos. A relojoaria foi sua paixão e a sua escolha profissional.

Começou como “product manager” da Bvlgari. Em 1994, e após uma reunião com Jean-Claude Biver, juntou-se a este líder para lançar a Blancpain, marca comprada dois anos antes pelo Swatch Group. Foi assim que se iniciou o período de 20 anos de colaboração e amizade leal com Jean-Claude Biver. Nomeado Diretor Internacional de Vendas e Marketing da Blancpain em 1997, deixou a empresa em 2001 após 8 anos, com mais de 100 milhões de euros em volume de negócios. Foi em busca de outras experiências

Três anos depois, em 2004, Jean-Claude Biver decidiu assumir a gestão da Hublot e convidou Ricardo Guadalupe a acompanhá-lo nesse novo desafio. A tarefa estipulada era ambiciosa: entre muitos desafios, revitalizar a marca e reestruturá-la para passar a produzir 90% de relógios mecânicos, em vez de 90% de relógios a quartzo. Guadalupe não hesitou um segundo e, com Jean-Claude Biver foram as “razões” do renascimento da marca.

O dinamismo passou a ser uma imagem desta dupla e de uma marca apostada em ganhar visibilidade e notoriedade no Mundo. Em 2008, a Hublot tornou-se “Cronometrista Oficial” do Campeonato Europeu. Em 2010, passou a “Relógio Oficial” e “Cronometrista Oficial” pela primeira vez na história da FIFA e da World Cup, pouco depois de ser eleita “Relógio Oficial” e “Cronometrista Oficial” da Ferrari; visibilidade excepcional à escala global…

Entretanto, a Hublot criou um clube exclusivo de amigos e embaixadores da marca tais como Usain Bolt, Dwyane Wade e o campeão da NBA Miami Heat, Kobe Bryant com o Los Angeles Lakers da NBA, Maria Riesch e Dario Cologna no esqui, Depeche Mode e Jay-Z no meio musical, ou ainda passou a patrocinar o Bayern de Munique, Juventus de Turim, Ajax Amsterdam e Paris Saint-Germain, sem esquecer José Mourinho, Pelé, Paulo Bentoou Fernando Santos, no mundo do futebol. Os apoios não se ficam por aqui.A família de Ayrton Senna com o Instituto Ayrton Senna, o prestigiado Museu Oceanográfico de Mônaco presidido pelo Príncipe Alberto II de Mónaco, ou o polo e o golfe, enquanto meios de divulgação dos seus produtos.

Hoje e Hublot conta com mais de 750 pontos de venda e 70 boutiques exclusivas em algumas das localizações mais prestigiadas do mundo (Genebra, Place Vendôme em Paris, Madison Avenue, em Nova York, Miami, Beverly Hills, Las Vegas, Cannes, Saint Tropez, Londres, Berlim, Munique, Moscou, Varsóvia, Praga, Singapura, Xangai, Pequim, Hong Kong, Dubai, Abu Dhabi, Kuala Lumpur, entre outros). Uma carreia de sucesso (Guadalupe) numa marca com futuro garantido.

Ricardo Guadalupe, não podia deixar de estar presente na apresentação das novidades da marca para 2015, em Genebra. Vejamos o que pensa do presente:

CHRONOS do tempo – O recente aumento do franco suíço (CHF) para a Hublot é…

Ricardo Guadalupe – Seguramente que vai provocar mudanças, uma vez que a valorização do franco suíço contra o Euro é muito particular e significativa. Para nós o Euro e toda a zona Euro representa 20% do nosso negócio então, sobre esses 20% haverá um impacto bastante significativo, até porque estamos a viver uma crise na zona Euro. Espero que não tenha reflexos no resultado global, penso que será mais psicológico.

Cdt- Esta alteração monetária vai alterar os planos da marca para o próximo salão de Basileia?

Ricardo Guadalupe – Para Basileia não vai mudar nada. Teremos um aumento nos preços finais em Euros, porque temos agora cerca de 20% de diferença, ou seja, no preço final, poderemos ter um aumento de 5 a 10 %. Perante tanta especulação sobre o que fará o Banco Central Europeu, e ainda sem sabermos quais as suas resoluções, teremos um aumento pouco significativo no preço final.

Cdt- Mercados como a China, Russia ou Ucrânia estão em baixa quanto a importações de relógios suíços. Como vê o futuro?

Ricardo Guadalupe – Penso que vai ser um ano difícil. Especialmente para as exportações suíças de relógios, mas convém não esquecer que as marcas fortes se vão manter fortes, e a Hublot é uma marca forte. Pretendemos conquistar mais quota de mercado e tentaremos melhorar os nossos resultados apesar de todas estas contrariedades anunciadas.

 

*Saiba mais na última edição da CHRONOS do tempo Nº 30, já nas bancas

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